Como os jogos de poder influenciam a cultura
No lugar de tentar eliminar a política, a alta liderança deve entender quais comportamentos e jogos de interesses está incentivando no dia a dia.
Em muitas empresas, o tema “cultura” ainda é tratado como valores bonitos estampados na parede ou campanhas desenhadas pelo RH. Só que essa identidade não nasce do que é escrito ou falado. Refere-se ao que é vivenciado, incluindo sistemas de recompensa, níveis de tolerância e, principalmente, a maneira como o poder é exercido e distribuído. Quando um C-level diz “aja com autonomia”, mas na prática qualquer decisão precisa da bênção de pessoas influentes, a cultura real é de controle e dependência. Quando a empresa diz “valorize a colaboração”, mas promove quem esconde informação e ganha no grito, a cultura é de incentivar a competição. Quando fala em meritocracia, mas a proximidade com líderes pesa mais do que a entrega, a mensagem é “seja leal ao grupo de poder e você vai se dar bem”. Não existe cultura pura separada do poder. Existem arranjos de poder mais maduros, transparentes e alinhados com a estratégia, enquanto outros alimentam vaidade, feudos, hierarquias paralelas e política defensiva. O primeiro tipo acelera decisões, engaja talentos e cria confiança. Já o segundo drena energia, fragmenta times, aumenta a rotatividade e torna qualquer transformação uma novela. Os…