Ficar pouco tempo na empresa é um problema?

Isis Borge responde a uma leitora que nunca ficou mais de três anos em uma empresa: ciclos curtos ainda são vistos como problema pelo mercado?

Entrei no mercado de trabalho cheia de vontade e sempre me joguei nas oportunidades que apareciam. Fiquei dois anos na primeira empresa, saí quando senti que tinha parado de crescer; depois vieram outras, cada uma com um time e um chefe novos e uma cultura diferente. Nunca saí brigada, mas também nunca consegui me ver envelhecendo em uma mesa fixa, repetindo a mesma rotina. Agora, olhando meu currículo com essa sequência de ciclos curtos, bate uma dúvida: Nunca fiquei mais que três anos numa empresa. Isso é um problema? Estrategista de conteúdo, 38 anos Não necessariamente. Tudo depende da cultura da empresa, do ciclo do negócio em que ela está inserida, da mentalidade da alta liderança e, sobretudo, da coerência das suas escolhas ao longo da trajetória. E é importante construir uma narrativa para explicar cada movimento. Há poucos anos, as longas permanências eram sinônimo de estabilidade, resiliência e comprometimento. Uma jornada com muitas trocas em pouco tempo costumava acender alertas entre recrutadores. Esse paradigma, porém, tem mudado. O mercado passou por transformações profundas, as empresas se reconfiguraram, novas funções surgiram e as carreiras deixaram de ser tão…