O que o RH ainda não entende sobre neurodivergência
Incluir profissionais neurodivergentes não termina na contratação. Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, aponta o que o RH ainda precisa mudar.
Existe um equívoco que se repete nos departamentos de Recursos Humanos de boa parte das empresas brasileiras: acreditar que a inclusão de profissionais neurodivergentes começa e termina no ato da contratação. Autismo, TDAH, dislexia, distúrbios de fala e outras formas de processamento cognitivo diferente do padrão não são desvios a corrigir. São formas legítimas de existir no mundo e de trabalhar. Mas o ambiente corporativo foi construído, em sua esmagadora maioria, por e para um único tipo de mente. O preço dessa uniformidade é pago com burnout, desempenho abaixo do potencial e saídas precoces que nenhum relatório de turnover consegue explicar direito. O primeiro erro começa antes da entrevista. O processo seletivo tradicional é, em si, uma barreira. Entrevistas rápidas, presenciais, com alta demanda de leitura de contexto social implícita favorecem quem domina o código neurotípico, não necessariamente quem tem o melhor repertório para o cargo. Quando o "fit cultural" é avaliado de forma subjetiva e não estruturada, funciona como um filtro que elimina diferenças antes mesmo que elas possam agregar valor. Parte do problema é que os maiores obstáculos para profissionais…