Como abordar um headhunter?
Isis Borge Sangiovani
Managing Partner no Talenses Group & Executive Director na Talenses
Colunista da VocêRH e do Valor Econômico
Colunista da VocêRH e do Valor Econômico
“Voltei há poucos meses de uma expatriação no Oriente Médio. Antes, atuava como gestor regional de P&L na mesma empresa multinacional francesa. Uma dúvida que me ‘assombra’ atualmente é que, no momento, busco recolocação e não é incomum contatos de headhunters que iniciam a conversa, mas nunca mais retornam (especialmente via mensagem no Linkedin). Em outros casos, envio o CV e não tenho retorno. Gostaria de saber o seguinte: qual é a etiqueta a seguir nesses casos? Devo cobrar o headhunter, quantas vezes e como? Ou não devo cobrar e partir para outra?” Executivo, 36 anos
Primeiramente, eu, sendo headhunter, gostaria de comentar que é uma pena que alguns “profissionais” ajam dessa forma. Considero uma falta de respeito “sumir” do mapa após abordar um candidato. Usualmente, nós headhunters recebemos uma quantidade muito grande de contatos por todas as vias possíveis: e-mail, WhatsApp e, também, pelo LinkedIn.
Nem sempre, de fato, é fácil gerenciar todas as mensagens. Mas, a partir do momento em que o contato é iniciado pelo próprio headhunter, acredito ser educado continuar a conversa com quem estamos interagindo, mesmo que seja para dizer que o perfil pode não estar alinhado à posição em questão, que ainda não tem um retorno ou que algo mudou no status da vaga.
Acho importante, também, dizer que nem todos os headhunters agem dessa forma. Um profissional experiente e que deseja atuar no longo prazo costuma prezar pela educação e o bom trato com as pessoas. Ele sabe que o candidato em busca de recolocação hoje pode ser um contratante do serviço amanhã.
O que acontece do lado de cá, desvendando um pouco a caixa de pandora, é que, muitas vezes, o status de uma vaga muda rapidamente: a empresa que estava pedindo mais nomes, de uma hora para outra, se decide por fechar a posição com um profissional interno ou com alguém que já havia sido entrevistado. Outras vezes o briefing da posição sofre uma alteração na senioridade ou em algum requisito específico. Há casos em que a posição é congelada.
Enfim, dentro de uma companhia, muitas coisas podem acontecer em um curto espaço de tempo. É usual, também, que, sem aviso prévio, a empresa contratante solicite que o headhunter aumente o número de candidatos para que o poder de comparação seja maior. Nessa dinâmica, alguns headhunters, por estarem com um volume muito grande de atividades simultâneas, podem perder a organização e, então, deixar de dar um retorno para os candidatos.
Independentemente da situação, acredito que seja muito importante você insistir em ter alguma devolutiva. Caso você só tenha enviado o telefone ou o currículo solicitado, sugiro aguardar dois ou três dias e, então, enviar uma mensagem dizendo que “continua com interesse em conversar” pelo mesmo canal de contato que o headhunter utilizou inicialmente para abordá-lo. Se o retorno não vier, insista mais uma vez. Se nada acontecer, sugiro que você siga com a sua vida, pois você pode estar lidando com um headhunter sem empatia e sem noção do quanto é prejudicial para todos os envolvidos esse tipo de comportamento.
Caso o contato avance para uma entrevista, no momento do bate-papo, você pode questionar quando o headhunter pretende enviar os perfis dos candidatos para a empresa. Em geral, um processo não se resolve em menos de duas semanas, porque ele precisa ter tempo para selecionar uma lista de candidatos, a chamada “shortlist” e apresentar para a empresa contratante. Depois, a companhia avalia e faz uma reunião de alinhamento com o recrutador para dar detalhes sobre a decisão.
Se você não receber nenhum retorno até a data mencionada pelo headhunter, faça o contato. Para situações em que não foi acordada nenhuma data específica de uma possível devolutiva, sugiro que o contato seja feito após duas semanas da entrevista, nova cobrança após 15 dias, se for o caso. É importante destacar que nem sempre a demora do processo é culpa do recrutador. Mas ele pode e deve te atualizar sobre o andamento das etapas.
Aqui, vale um alerta: não é bom esperar muitos dias para cobrar o retorno de um headhunter que te abordou ou te entrevistou, pois a rotina nas consultorias é bem dinâmica. É bom que o recrutador tenha o seu nome fresco na mente para os processos seletivos em andamento.
No entanto, se o recrutador mencionar que, naquele momento, não há nenhuma oportunidade alinhada ao seu perfil, não insista. Faça-se presente de tempos em tempos enviando uma mensagem; nesse caso, uma mensagem a cada dois ou três meses é a abordagem mais adequada.
Fico na torcida para que você tenha sucesso em seu processo de recolocação.
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