“Gig economy” e sua influência no C-level as a service
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“Gig economy” e sua influência no C-level as a service
Fernando Pedro
Managing Director Assigna @Staff Loan [Talenses Group]
“C-levels as-a-service”, “Talent as-a-service”, “executivo temporário, “liderança interina”. Nos últimos meses, você deve ter se deparado com pelo menos um destes termos. Com pequenas diferenças entre si, todos eles se referem a um modelo de contratação que a cada dia ganha mais força: o de profissionais de nível C-level, prestando serviços para empresas de forma temporária.
Há diferentes motivos para o aumento desta modalidade de trabalho. Um dos principais é a popularização do conceito de “gig economy”. A tradução literal de gig economy é algo como “economia do bico”, mas talvez o termo que melhor traduza esta expressão seja “economia sob demanda”. Ela abrange os profissionais que atuam de forma autônoma, realizando serviços temporários (com duração previamente estabelecida ou não), para uma ou mais empresas. São pessoas que buscam mais dinamismo e flexibilidade em suas jornadas de trabalho, além da possibilidade de aumentarem seus ganhos atuando em vários projetos de uma vez.
De forma crescente, executivos e executivas vêm enxergando com bons olhos a gig economy e os contratos de trabalho mais flexíveis, também pela possibilidade de atuar por diferentes organizações ao mesmo tempo. Essa oportunidade permite que profissionais acumulem mais experiência rapidamente, conheçam novas culturas, cenários, desafios e processos corporativos – e, claro, ampliem e qualifiquem seu networking.
Outro fator que influenciou o aumento de demanda por essa modalidade foi o pós-pandemia, que despertou preocupações em relação às questões de saúde mental, fazendo-os começarem a optar por projetos mais curtos, em detrimento das tradicionais “maratonas” de trabalho no modelo integral.
A gig economy também abre opções para as empresas
Do ponto de vista das organizações, as novas possibilidades trazidas pela gig economy também são interessantes. A grande maioria das companhias está em um momento ao menos de cautela em relação a custos e riscos, e isso influencia diretamente em suas políticas de contratação. Sai caro para a organização quando uma contratação não dá certo, principalmente quando falamos de profissionais do C-level, que possuem um pacote alto de total rewards (incluindo remuneração fixa e variável, mais bônus). Atrelado a isso, se comprometer no longo prazo com um executivo ou uma executiva que não se encaixou na cultura da companhia, ou não está entregando os resultados necessários, agrava ainda mais este cenário de alto investimento com baixo (ou sem) retorno.
Por isso, trazer uma liderança C-level no formato de Staff Loan pode ser uma ótima solução, mitigando estes riscos e melhorando a relação custo-benefício. Por exemplo, pense em uma empresa que contratou um(a) CFO de forma terceira ou temporária para ajudá-la a se preparar para um IPO. Por determinado período, este profissional trabalhará de 30 a 40 horas por semana, a fim de garantir o planejamento e a execução correta de todo o processo de abertura de capital da companhia na bolsa. Pós-IPO, a demanda pelo(a) CFO provavelmente diminuirá bastante, e a empresa poderá negociar menos horas por semana dedicadas ao negócio. Seja em casos como este ou de um cancelamento de contrato, a companhia não está engessada para fazer as adaptações e mudanças que julgar necessárias.
Além dos custos envolvendo alguém que ocupa um cargo de C-level, há um alto investimento de tempo para encontrar e contratar o profissional que mais tenha fit com a cultura e os desafios da empresa. Como estamos falando da alta gestão, de alguém responsável por ajudar a guiar o negócio e a tomar decisões estratégicas, a “sabatina” pela qual esta pessoa passa é muito mais longa e criteriosa. A questão, porém, é que muitas vezes a companhia não tem justamente o tempo necessário para se investir neste processo (especialmente em casos de maior urgência, como quando o próprio executivo pede as contas), aumentando assim as chances de se errar na contratação.
Nesses casos, o setor de RH também ganha mais tempo para procurar com calma uma opção permanente, e é passada uma mensagem clara para o mercado de que a empresa não está sem comando. Além disso, o próprio executivo ou executiva interina pode atuar como “tutor” na preparação de uma pessoa sucessora para a cadeira de C-level, garantindo uma passagem bem-feita, ou pode acontecer uma efetivação caso corresponda às expectativas do negócio. Trazer profissionais C-level nos moldes de Staff Loan para atuar como uma liderança interina se mostra uma solução eficiente em cenários como estes.
Além da diminuição de custos e do ganho de agilidade, outro fator, não menos importante, para o aumento da demanda por contratações de profissionais C-level como interinos ou temporários, é a oportunidade de atuação em um modelo de consultoria externa para a empresa contratante. Profissionais deste calibre costumam unir experiência, conhecimento técnico e visão estratégica, trazer novos pontos de vista para velhos problemas da empresa, ajudar na criação de processos e estruturas, e tirar do papel grandes projetos – como lançamento de produtos, ampliação da atuação da empresa em novos mercados ou mesmo a implementação de um sistema de ERP.
Com o fortalecimento cada vez maior da gig economy, a tendência é que nos próximos anos a contratação pelas empresas de profissionais do C-level como temporários só aumente. Sua flexibilidade, custo e ganho de possibilidades torna o modelo atrativo para todos os lados.
Fernando Pedro
Managing Director Assigna @Staff Loan [Talenses Group]
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