O que não fazer ao demitir um funcionário
Índice
Quer ir direto ao ponto? Navegue por aqui.
O que não fazer ao demitir um funcionário
Caminhamos na direção de um mundo corporativo mais humanizado, mas os empregadores ainda cometem dez erros nas demissões. Confira.
Isis Borge Sangiovani
Managing Partner no Talenses Group & Executive Director na Talenses
Colunista da VocêRH e do Valor Econômico
Colunista da VocêRH e do Valor Econômico
Conheci uma empresa que mantinha o cuidado com as pessoas no centro de suas principais decisões. Por isso, no início dos processos seletivos para cargos de liderança, os recrutadores perguntavam aos candidatos: “Você já precisou desligar alguém? Se sim, como foi essa experiência para você?”. E só quem demonstrava alguma empatia pelo colega demitido seguia na disputa.
Acredito em iniciativas como essa porque, no meu contato diário com candidatos, noto que o último dia de trabalho em uma empresa tem um impacto importante na história de cada profissional, seja quando a pessoa é demitida ou pede demissão. O que ela ouviu e como se sentiu pode, inclusive, definir como ela vai se comportar nas próximas oportunidades de emprego.
Felizmente, caminhamos na direção de um mundo corporativo cada vez mais humanizado. É imprescindível, porém, que esse cuidado também esteja presente na hora de demitir alguém – e os empregadores ainda deixam a desejar nesse quesito.
Há dez erros principais. O primeiro é ser vago, evasivo, e esconder os reais motivos da demissão. A comunicação precisa ser transparente, empática e respeitosa. Isso evita que o funcionário fique confuso, frustrado e ressentido – o que pode gerar danos à reputação da empresa ou até motivar processos trabalhistas.
Também aconselho que a demissão aconteça em um local privado, onde o funcionário poderá receber a informação sem se sentir exposto. Dispensar alguém na frente de colegas é um desrespeito à dignidade do profissional.
Outro erro comum é agir de forma impessoal demais. Considere os sentimentos do funcionário, não seja frio ou mecânico nesse momento. Lembre que a demissão provavelmente vai abalar as finanças – e as emoções – do ex-colaborador.
O elemento-surpresa é o quarto pecado capital quando o assunto é demissão. Para evitá-lo, é fundamental oferecer feedbacks constantes, sinceros e respeitosos. Caso o desligamento aconteça por um corte de custos ou pela reorganização do negócio, nada mais justo do que esclarecer muito bem o cenário ao profissional em questão.
Também não vale desrespeitar leis trabalhistas ou políticas internas da empresa no momento da demissão, alongar a conversa de maneira excessiva – o que torna a situação ainda mais desconfortável –, e deixar de agradecer o colaborador por seu trabalho. Reconhecer as contribuições do profissional encerra o relacionamento de maneira positiva e respeitosa, além de preservar a reputação da empresa.
Não oferecer suporte é outra forma de pisar na bola. É importante que a companhia esteja disposta a oferecer algum aconselhamento ou programa de recolocação ao profissional, nos casos em que isso fizer sentido, para que ele se sinta menos desamparado. Indicar a pessoa para o RH de outras empresas já é uma grande ajuda nesses momentos.
Este erro está relacionado a outro: não levar em consideração a situação particular de quem foi demitido. Avalie: é preciso estender o acesso ao plano de saúde? É possível oferecer um pacote de saída melhor do que o previsto por lei?
Por fim, não deixe de comunicar a demissão à equipe, sem expor detalhes desnecessários, para evitar rumores e incertezas entre os profissionais que permanecem na companhia. Informe, por exemplo, os planos para preencher a vaga.
Relações de trabalho não precisam ser eternas, mas é imprescindível que exista respeito entre todos os envolvidos durante todo o período de relacionamento. Isso é parte de um ambiente de trabalho saudável, positivo e produtivo.
Veja mais posts relacionados
Cultura de feedback contínuo: metodologias práticas e ferramentas que geram resultados reais
O que torna feedback uma prática cultural, não apenas pontual Feedback pontual acontece em momentos específicos: avaliações anuais, revisões de projeto, conversas […]
A ciência por trás do employee experience: por que EX vai muito além de benefícios
O que employee experience realmente significa Employee experience não é sinônimo de benefícios corporativos. Não se resume a vale-refeição, plano de saúde […]
Como criar políticas de trabalho flexíveis que atendam diferentes perfis sem gerar desigualdade
Por que políticas padronizadas já não funcionam para equipes diversas Durante anos, a área de Recursos Humanos operou com políticas de trabalho […]
Mindset para gestão híbrida: o que RH e lideranças precisam transformar para gerir equipes distribuídas
Por que o modelo híbrido exige mais do que novas ferramentas A transição para o trabalho híbrido revelou algo importante: investir em […]
É a estratégia que transforma a tecnologia em valor
O ano de 2026 do Talenses Group (TG) começou com algumas novidades. Uma delas é que, eu, Paulo Moraes, migrei da diretoria da […]