Profissões obsoletas: estudo aponta riscos da transformação tecnológica
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Profissões obsoletas: estudo aponta riscos da transformação tecnológica
Isis Borge
Executive Director Talenses & Managing Partner Talenses Group
Recentemente, o Fórum Econômico Mundial publicou o novo Relatório do Futuro do Trabalho. Sempre acompanho essa publicação porque a vejo como um estudo que destaca uma série de tendências que deveriam estar no radar de líderes e liderados interessados em fazer mais e melhor para que carreiras e organizações não se tornem obsoletas.
Uma das tendências que mais chamam a atenção no relatório é a da transformação tecnológica.
A expansão do acesso digital e a adoção de IA e sistemas autônomos estão remodelando o mundo do trabalho. Estima-se que 86% das empresas esperam que a IA e o processamento de informações transformem seus negócios até 2030.
Contudo, essa revolução é uma faca de dois gumes. Enquanto funções como especialistas em IA, machine learning e análise de big data estão entre as que mais crescerão, ocupações como caixas, assistentes administrativos e operadores de dados estão em declínio acentuado.
O relatório revela que quase metade das tarefas realizadas atualmente será transformada, com uma divisão mais equilibrada entre tarefas feitas por humanos, máquinas e colaborações híbridas. O desafio será encontrar maneiras de complementar as capacidades humanas com a tecnologia, em vez de substituí-las completamente.
Profissões absoletas
Quando penso nessa questão na obsolescência, sempre lembro da primeira vez que li o livro Homo Deus, do Yuval Noah Harari, e me deparei com o conceito de “sociedade de inúteis”. Na época, fiquei chocada, mas reflexiva. Na obra, o autor argumenta que, com o progresso da tecnologia, especialmente em IA e robótica, muitas profissões atualmente desempenhadas por humanos se tornarão obsoletas.
Essa realidade pode levar ao surgimento de uma classe de pessoas economicamente “inúteis”, não porque elas não tenham valor como seres humanos, mas porque o mercado de trabalho não terá mais espaço para suas habilidades. Esse grupo seria composto por indivíduos que tiveram suas ocupações automatizadas e não conseguiram se reinventar no novo contexto. Veja alguns pontos que ele defende:
- Automação e desemprego em massa
A automação não apenas transforma trabalhos repetitivos e manuais, mas também profissões intelectuais, como advogados, médicos e até mesmo artistas, devido à crescente capacidade de máquinas para aprender e tomar decisões complexas.
- Revolução nas habilidades exigidas
No futuro, será essencial ter habilidades que máquinas não conseguem replicar, como criatividade avançada, adaptabilidade e inteligência emocional. No entanto, a requalificação de milhões de pessoas será um grande desafio.
- Desigualdade crescente
A concentração de riqueza e poder nas mãos de quem controla as tecnologias avançadas pode agravar ainda mais as desigualdades sociais, criando uma divisão entre uma elite tecnológica e o restante da população.
- Relevância é essencial
Mais do que o desemprego, Harari argumenta que a questão central será a relevância. Sem emprego, as pessoas podem sentir que perderam seu papel social, o que pode levar a crises de identidade e significado.
- Cultura e entretenimento como “sedativos”
Harari sugere que, em um cenário em que uma parte significativa da população não encontra ocupação no mercado de trabalho, governos e indústrias podem recorrer ao entretenimento, jogos e experiências virtuais para manter essas pessoas ocupadas e tranquilas.
O autor não vê esse futuro como inevitável, mas como uma possibilidade a ser refletida e debatida. Ele enfatiza a importância de criar soluções que incluam essas pessoas no novo tecido social, seja por meio de políticas públicas, novas formas de ocupação ou até a reestruturação da economia e do conceito de trabalho.
iSIS BORGE
Executive Director Talenses & Managing Partner Talenses Group
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